quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Vence o mais votado

Vence o mais votado. Isto é democracia. E ponto final.

A vitória da Presidenta Dilma Roussef - e porque não dizer?, do Povo Brasileiro - é incontestável sob todos os aspectos.

Ao analisarmos friamente os números de todas as pesquisas eleitorais e, consequentemente, a preferência do Povo Brasileiro, fica muito claro que, em todo o processo eleitoral a Presidenta Dilma Roussef SEMPRE esteve com um volume de votos na faixa dos 40%.

Este volume, com o passar do tempo, pela fragilidade dos adversários e, principalmente, pelas realizações de seu governo e do ex-Presidente Lula, foi aumentando de forma consistente e segura, culminando com a inequívoca vontade do Povo Brasileiro pela continuidade de seu Governo.

Isto é uma grande prova de confiança no que já foi realizado e no potencial que este Governo ainda tem para realizar nos próximos quatro anos.

Quanto aos outros candidatos, precisam ter muita humildade para não cairem na tentação de achar que são porta voz de alguma insatisfação e/ou que detém qualquer tipo de liderança de uma parcela considerável de votos da população.

O que as pesquisa mostram claramente é uma crise de liderança e de confiança em praticamente todos os candidatos opositores ao Governo.

Basta ver que, desde o início das pesquisas - inclusive com Eduardo Campos ainda vivo - que esses candidatos SEMPRE estiveram na faixa de 20% de preferência do eleitorado. Oscilando cerca de 5% para mais ou para menos.

E assim chegaram à reta final. Com uma súbita guinada de um dos candidatos, mais pela inconsistência e incoerência de uma das candidatas, que viu-se facilmente engolida pelo confronto direto com os outros candidatos, do que propriamente por que o candidato que ascendeu nas pesquisas tivesse sucesso em entusiasmar o voto de oposição.

Não quero ser muito cruel, pois todos os candidatos merecem nossos aplausos por seus esforços, mas a dura realidade mostra que qualquer outro teria sido alavancado da mesma forma.

Então, bola pra frente que tem gente precisando de água, comida e teto. E educação, saúde, segurança, lazer e bem-estar.

sábado, 20 de setembro de 2014

Abandonados

Quem foi abandonado primeiro? O recém nascido ou a mulher?

Sem querer justificar atos desse tipo, devemos pensar nas causas que levam uma mãe a abandonar um recém nascido. Ou uma criança de qualquer idade que veio ao mundo parida por aquela mulher.

Na minha opinião, o motivo principal é um só. Mesmos nas situações em que seja diagnosticada falta de sanidade mental da mulher.

Antes da mulher abandonar uma criança, podemos afirmar com quase total segurança, que a mulher foi abandonada à própria sorte.

Para uma sociedade que prefere fugir de responsabilidades, uma gravidez indesejada é um problema para o resto da vida.

Assim, muitas grávidas são abandonadas pelo marido/companheiro/namorado, são abandonadas pela família, pela sociedade, pelo mercado de trabalho, pelo Estado, assim que anuncia sua gravidez.

Grávidas, sozinhas e tendo que assumir uma enorme responsabilidade, sem ninguém para oferecer sequer um ombro onde derramar suas lágrimas, é como se uma pesada cortina se fechasse diante de seus olhos. Nesta situação não se vê nada. O futuro não existe. O hoje é um tormento sem fim. Tormento que a mulher, naquela hora dramática, pensa poder se livrar se livrando da criança numa lata de lixo. Sozinha, abandonada.

E continuará assim.

Um dos responsáveis diretos por uma gravidez, o pai, é o primeiro a cair fora da relação e abandonar a mulher à própria sorte. Fácil para quem a comprovação de paternidade somente pode ser provada - apenas por probabilidade - após o nascimento da criança. Com custo proibitivo para a maioria da população. E a mãe que se vire e sofra todas as consequências, inclusive a criminalização de seus atos.

Todos os responsáveis diretos e indiretos pelo abandono de recém nascidos - o pai, a família, o Estado - têm a certeza que nunca poderão ser criminalizados por esses inúmeros abortos após o parto.

Isso mesmo, aborto pós parto, essa sim uma prática criminosa de responsabilidade de toda a sociedade que joga nas lixeiras, nas ruas e nas praças inúmeros órfãos de pais vivos, que farão a felicidade da criminalidade e o tormento da própria sociedade que os abandonou e os mantém abandonados.

E ainda tem gente que é contra interrupção de gravidez indesejada. Esses, preferem crianças praticamente perdidas para a vida em sociedade em prol de uma gravidez bem sucedida (sic???!!!).

E as próprias mulheres que, em número, são a maioria da população ainda permanecem caladas ou apenas esboçam reações tímidas ante essa monstruosidade que lhes jogam nos ombros.

Se depender da população masculina, ainda levará muito tempo antes que mulheres grávidas parem de ser jogadas nas lixeiras. Isto porque jogar na fogueira, atualmente, é crime.

Fernando Gurgel Filho

PS: Este texto foi escrito em 2011. Decidi publicar aqui apenas para compartilhar com todos.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

João Ubaldo Ribeiro - "O Rei da Noite"

Em "Aventuras Naturais", do livro "O Rei da Noite", João Ubaldo Ribeiro descreve um restaurante de comida natural.

A descrição é divertidíssima. Apesar de, segundo ele, ter sido uma experiência "acabrunhante".

Pior do que, continua João Ubaldo, "a que tive num restaurante macrobiótico de Salvador, ao qual concordei que me levassem num momento de insensatez e que me deixou abaladíssimo - aqueles mastigadores obstinados, aquela aura de expiação de pecados através de penitências alimentares, aquela atmosfera pálida e astênica."

Bebedor contumaz, o escritor ficou ainda mais avesso ao lugar quando pediu algo para beber. Tinha suco de espinafre - "que nunca vi, mas considero imoral por definição", dizia ele - suco de beldroega, chá de tília e água descansada.

"- Água descansada? Descansada?"

Dai pra frente tem que ler. Imperdível.